O Rock nos Festivais

Atualmente o rock aparece como um dos estilos de maior prestígio no cenário musical, sendo admirado por pessoas de todas as idades e diferentes origens culturais. Entretanto, essa história nem sempre foi assim. A princípio, o swing de Chuck Berry, Elvis e dos meninos de Liverpool foi recebido nas terras tupiniquins com olhares de desaprovação, e sofreu duras resistências.  Até que caísse nas graças do povo a levada das guitarras elétricas rendeu muita dor de cabeça a seus entusiastas.

O início da enxaqueca

Essa rixa iniciou-se mais ou menos no Brasil dos anos 60, num cenário onde profundas transformações se processavam por toda sociedade. O mundo tava uma b****vivia sob grande tensão, ditaduras eclodiam no Brasil e na América Latina, e uma grande guerra nuclear ameaçava a vida no planeta. Enquanto as grandes potências da época disputavam pela supremacia política, a música cumpria seu papel levando mensagens revolucionárias, de paz,  transformação, mudança de hábitos que incentivavam a busca por novas experiências e ideais. Ela passou a ocupar um lugar central na vida da juventude e das vanguardas artísticas, sobretudo com o advento dos meios de comunicação em larga escala.

Foi  nessa mesma época que o Rock apareceu metendo o lokocom força total. O estilo prometia renovar os ânimos da cultura e promover uma verdadeira revolução nos costumes. O Rock se comunicava de maneira muito eficaz com a juventude da época, correspondendo às suas necessidade de renovação transformando-se num sinônimo de rebeldia e contracultura. Nesta época surgiram grandes ícones da música, tais como Jimi DeusHendrix, Beatles, Rolling Stones, Janis Joplin, entre outros, que tornaram-se os emissários doa anseios de vanguarda e influenciaram as gerações posteriores de músicos e artistas.

Enquanto isso: na terra do pandeiro

Em território verde-amarelo outras questões se processavam no bojo da cultura. Os artistas brasileiros buscavam uma arte comprometida e engajada com as questões nacionais. Procurava-se por meio da música algo que traduzisse “a cara” do povo brasileiro, que falasse das nossas mazelas, contemplasse as especificidade da nossa cultura e protestasse contra o temerpoder vigente. Então um cenário onde a música participava ativamente na elaboração das nossas demandas e na construção de uma identidade nacional formou-se.

Arte de Chico Shiko

 

Assim, inspirada na ideia de emancipação nacional e naquilo que aquela geração de compositores considerava a genuína expressão da cultura brasileira a MPB consolidou-se. Valorizava-se sobretudo as canções cujo conteúdo fosse explicitamente político e de protesto, e o que tivesse raízes no samba e em outros ritmos regionais. Pouco a pouco os músicos estabeleceram uma certa aversão á novidade do Rock e ao Pop internacional como um todo. Toda essa resistência não era sem razão, e justificava-se pelo grande ressentimento que os latinos, as antigas colonias, entre outros povos do “terceiro mundo, nutriam em relação às nações do norte. Muitos artistas, sobretudo os mais à esquerda, viam com grande desgosto a postura dos EUA no cenário mundial e temiam que a sua supremacia politica e cultural beirasse ao imperialismo e ao colonialismo. Assim, tudo que fosse associado aos símbolos da cultura estadunidense e européia sofriam uma grave censura.

Beatles a granel

O movimento do iê-iê-iê, emcabeçado pelos artistas da jovem guarda foi fortemente antagonizado pelos emepebistas. No dia 17 de Julho de 67 a polêmica em torno da invasão ianque e da guerra ao ie-iê-iê chegou a seu ponto máximo, culminando num ato que ficou conhecido como “passeata contra a guitarra elétrica”. Vários artistas renomados participaram desse ato, como Elis Regina, Jair Rodrigues, Geraldo Vandré, Gilberto Gil, entre outros fãs e compositores que foram apoiar a causa emepebista. Entretanto, a despeito dos rechaços, o Rock infiltrou-se sutilmente em nossa cultura.

O próprio Gilberto fanfarrãoGil, que mesmo participando do ato contra a guitarra, foi um pioneiro na incorporação do Rock e do Pop para dentro da cultura brasileira. Em 67 o compositor participou do III Festival de Música Popular Brasileira juntamente os roqueiros de sampa Os Mutantes, disputando com a canção “Domingo no Parque”. Caetano Veloso também estava concorrendo nesse festival e causou alvoroço com sua canção “Alegria Alegria” que tinha como elemento de destaque as guitarras da banda argentina de rock Beat Boys. Para surpresa de todos Gil ficou em segundo lugar, e Caetano em quarto, juntamente com “Roda Viva” de Chico Buarque em terceiro, e “Ponteio” de Edu Lobo em primeiro.

Roça n’ roll

Em entrevista, Chico Buarque afirma que de tempos em tempos os festivais vão destacando algum formato de canção que acaba se tornadno mais o mais prestigiado, configurando o modelo de “Música de Festival”. O Rock entrou nos festivais como uma espécie de dinamizador, para quebrar a monotonia e desestabilizar os fundamentos da “música de festival”. A competência, a simpatia e o carisma dos artistas, como Rita Lee, Raul, Os Mutantes fez com que os roqueiros brasileiros fossem respeitados no panteão da cultura brasileira. A partir daí o estilo cresceu no Brasil, independentemente das resistências culturais, e das dificuldades com o idioma o Rock hasteou sua bandeira em solo brasileiro.

Curiosamente, apesar de localizar-se no interior de Minas, numa região com características rurais, Alvinópolis é uma cidade muito roqueira. Algumas bandas da cidade destacaram-se pela participação no festival, entre as precursoras Porão 71, Kalamidade Pública, Fator Alma e Vovó Piluca, e mais recentemente Estorvo, Paralello, Ponto Morto, Sistema Confuso, entre outros. São tantos projetos que apenas um artigo sobre eles não bastaria, pelo visto o rock é um dos principais ingredientes da cozinha alvinopolense.

O Festival da Canção de Alvinópolis é um evento que busca incentivar a pluralidade de estilos, selecionando trabalhos que prezem pela diversidade estética, rítmica e pela criatividade em todos seus matizes, assim ele busca atrair toda variedade de gêneros, e interpretações musicais, fazendo com que o Rock seja muito bem vindo entre todos os outros estilos.

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